Carlos Alberto Tobias, conhecido como comandante e por Tuba, destacou-se não só pela sua maneira de administrar o Camisa Verde, mas também por ser um sambista de raiz.
Causava espanto aos visitantes menos avisados ao chegarem à quadra da escola e ver o presidente da agremiação empunhado um surdo, sem qualquer vestígio de autoridade ao lado dos demais integrantes da bateria.
Foi fundador da Liga independente das escolas de samba de São Paulo, além de ser responsável pelo surgimento de várias ruas de lazer em São Paulo.
Faleceu em 15 de janeiro de 1990, nos obrigando a fazer um desfile triste, porém com garra de campeão em homenagem ao grande comandante Tobias.
Para se ter idéia do visionário que era Tobias abaixo segue crônica escrita por ele em 1986.
Valeu Comandante!
São Paulo precisa de carnaval (TEXTO DE 1986)
O carnaval em São Paulo é hoje uma realidade. Mais o que o carnaval, o samba. E isto foi conquistado à duras penas. Nada exprime melhor o que representa a luta dos primeiros sambistas paulistanos do que o depoimento de Dona Sinhá, que aos doze anos frequentou os primeiros "pagodes" na terra da garoa: "Éramos malvistos. Diziam que o ambiente não prestava".
Os tempos mudaram. O carnaval paulista, agora, gera turismo. Em outros tempos nem mesmo a população local permanecia na cidade durante os quatro dias de folia. Não havia, como agora, o interesse maciço de meios de comunicação na cobertura deste evento. O Rio de Janeiro, principal pólo de atração turística da festa de momo, recebe hoje, numa atitude inédita e exclusiva, a escola de samba campeã de São Paulo na sua apoteoso. Uma deferência que insinua a inequívoca evolução alcançada pelo carnaval local. Motivos suficientes para não se admitir, portanto, nenhuma espécie de retrocesso. O G.R. Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco vê, com desconfiança, declarações contrárias porque descabidas visitaram as páginas dos jornais recentemente.
Um português castiço, mas não incompreensível pelo povo que faz o samba de São Paulo, argumentou que a verba investida no carnaval da cidade deveria ser destinada a setores como, por exemplo, a educação. São Paulo precisa de escolas de ensino em todos os graus. E necessita, também, de escolas de samba. Não cabe polemizar a importância de uma e de outra.
A verdade é que, se aprendem nas salas de aulas os pontos cardeais e as datas dos acontecimentos históricos, as crianças conhecem na quadra de ensaios a face própria do seu país. São os valores mais íntimos: as tradições, as músicas, as lendas e os folguedos veiculados quase que de forma didática. Longe de ser um "antro de desocupados", as agremiações carnavalescas devem ser consideradas peças importantes na formação de grande parcela da juventude.
Não estão na rua, empunhando revólveres e canivetes, abandonadas ao sabor da própria sorte, os jovens que por um ano inteiro participaram da construção do sonho que o Camisa Verde e Branco traz hoje para a Avenida Tiradentes. Estas histórias se repetem. Indústria da alegria que somos, temos também cumprido um compromisso social. Esta é a ocasião de se solicitar que conceitos proferidos à revelia da reflexão sejam revistos. |