Octávio da Silva nasceu no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, e foi por muitos anos integrante da Acadêmicos de Rocha Miranda. Trazido pelo nosso patriarca Inocêncio Tobias, em 1967, chegou à terra da garoa para construiu uma linda história na nossa escola, tornando-se uma lenda viva não só nas cores verde e branco, mas nas cores do samba paulistano. Talismã, o querido Mumu como também era conhecido, se destacava por ser talentoso: compositor por excelência, criador de enredos e artista plástico encantou, com belos versos, melodias e requintados trabalhos plásticos, a cidade de São Paulo. E, embora um gênio, gozava de outro talento que o tornava muito mais especial: a humildade, virtude que poucas pessoas, somente as iluminadas como Mumu, carregam consigo. Talismã era especial porque ajudava diversos sambistas que, mesmo competentes no desenvolvimento da construção das letras dos sambas, pecavam no desenvolvimento melódico.
Muitos compositores, especificamente os compositores da Verde e Branco, aprenderam e aprimoram os versos graças ao querido Mumu Entre eles podemos citar Airton Santa Maria, Neff Caldas, Luiz Carlos Freire. Talismã tinha sambas gravados pelos melhores cantores do país e diversos sambas compostos para a nossa verde e branco. Dentre os sambas, podemos destacar a Biografia do Samba, um samba que descreve perfeitamente a essência e a importância do samba na representação da vida de um sambista e, essa obra composta pelo gênio, é tida o hino do carnaval paulistano.
Em 12/05/74, através do Festival de Samba de Quadra, promovido pela Folha da Tarde, e apontado em discursos entusiasmados de membros do júri como um marco na história do samba paulistano, pois propunha disputar a supremacia do samba no Brasil, a promoção atraiu 400 compositores; foram selecionados 12 músicas que integraram um LP, sendo eleito, nessa oportunidade, como a melhor do festival, na sede da Sociedade Rosas de Ouro, a música Sou Verde e Branco, de autoria de Talismã e Jordão. Após o marco conquistado, Talismã presenteou com esse samba a comunidade Verde e Branco, que foi transformado em hino oficial da nossa entidade. Além do hino da verde e branco Sou Verde e Branco e do hino do carnaval paulistano A Biografia do Samba, Talismã compôs os seguintes sambas: Há um nome gravado na história - 13 de Maio, Festa das flores, Sonho Colorido de um Pintor, Literatura de Cordel e Negros Maravilhosos "Mutuo Mundo Kitoko". Além das inigualáveis poesias, Talismã desenvolvia alegorias e, em 1986, cerrou fileiras junto a Augusto Henrique na realização de Fantasia Sonho Sem Fim.
Ao caneta de ouro que encantou e encanta todos os sambista natos, radicados ou simplesmente amantes dos sambas oriundos da terra da garoa que, desmentido Vinicius de Moraes, para o qual a Capital paulista é "o túmulo do samba", a nossa pequena homenagem perante a sua grandeza e contribuição ao samba de São Paulo. Felizes, orgulhosos e certos estamos porque sabemos que os laços que unem os sambistas se farão presentes, enquanto as cordas de um violão ecoar em todas as notas o sentimento descrito e prescrito por ti nas linhas dos versos de tantos sambas com destaque especial ao nosso hino "Sou verde e branco, Até a morte!" Não importa onde estivermos, o sambista diz adeus; o samba até logo. É um ciclo que se encerra ano a ano, fortalecendo-se a cada estação para o delírio de toda a nação. Obrigado Talismã, o gênio caneta de ouro, caneta verde esmeralda. |