Quinteto - Gugu

Augusto Henrique Alves, artista por excelência, atuou na Guanabara como cenógrafo, figurinista, pintor, desenhista, escultor, publicista, teatrólogo e empresário. Carioca de Botafogo, estreou como carnavalesco no Império da Tijuca, quando desenvolveu o enredo "Rapsódia Brasileira". Elogiado pelos trabalhos realizados no Teatro Opinião e no cinema brasileiro, destacou-se, também, como decorador de carnaval dos clubes Sírio e Libanês e Botafogo F.R.

Apesar das muitas atividades, ele é, acima de tudo, grande amigo do samba. Já preparou desfiles do Cacique de Ramos, do Foliões de Botafogo, das escolas Unidos de Vila Isabel, São Clemente, Mocidade Independente de Padre Miguel e Mangueira. No carnaval de 1974, desenvolveu com seu talento o carnaval da Unidos de Viradouro, empregando toda a sua arte na criação e montagem de um desfile que, certamente, ficou na lembrança de todos. Muito dedicado e interessado em passar uma mensagem positiva aos foliões, derruba o mito de que o carnaval é apenas uma festa pagã. Pode sim, mesclar a alegria com informações culturais, pois ali é um momento em que os donos da festa são, geralmente, pessoas sem acesso a muitas informações e lazer no decorrer dos próximos dias do ano. Sempre alimentando veias famintas por informações viajou também à Espanha e Itália em busca de aprimorar os seus conhecimentos.

Quando ele resolveu colaborar com o carnaval paulistano, veio certo da ótima qualidade do nosso samba. Entretanto, sentiu que estava faltando um pouco de realce no bom trabalho dos sambistas. E chegou trazendo novidades, coloridos e muito brilho, para destacar ainda mais a beleza que naturalmente nossa gente possui. Pretendia, pode-se dizer, uma "delícia visual". Para isso trabalhou muito, ajudado por uma equipe da escola que aprendeu arte, e montou seu próprio desfile. Mas o que importava mesmo era um trabalho com resultados positivos - o que ele queria, assim como todos, era marcar época. Augusto Henrique, o "artesão do povo" como ele mesmo gosta de dizer, no Camisa é o nosso querido Gugu. Carioca, polivalente de olhos verdes que derretiam corações de moças, balzaquianas e senhoras, mesmo não sendo garoto tinha mais disposição que muitos jovens. Com uma característica fundamental na profissão que exerce: é pé quente, a mente genial que brilhou no carnaval de São Paulo através do Camisa Verde e Branco estava à frente dos demais, tanto que, Narainã, Alvorada dos Pássaros é, para muitos, se não a maioria, a grande parte dos antigos que tiveram o privilégio de assistir e deleitar-se das ousadias que marcaram época, o desfile de todos os tempos no carnaval paulistano, mitológico. O trabalho foi tão bem feito que, certamente, alguns até diriam ser coisas do destino, porque a estrela de Gugu, depois de brilhar por anos no carnaval carioca, reluziu em Sampa. Amanhecia a escola estava na concentração, quando os pássaros eram soltos das gaiolas bem próximas ao abre alas.

O carnaval de São Paulo mudou muito, e mudou para melhor, graças à colaboração de Gugu. A altura dos carros, o luxo, o uso de espelhos, a abolição do uso de alegorias de mãos foram frutos das obras que esse gênio dos barracões implantou na terra da garoa. Desenvolveu, também, os seguintes enredos: Almôndegas de Ouro - 1979, Acima de tudo mulher - 1980, Amor, sublime amor - 1981, Negros Maravilhosos "Mutuo Mundo Kitoko" - 1982, Verde que te quero verde - 1983, Os três encantos do rei - 1984 e Ginga Brasil Moreno, menino cor de canela 1985, além de desenvolver no barracão as alegorias e as fantasias dos carnavais de 1986, Fantasia Sonho Sem Fim, Barra Funda, Estação Primeira - 1987, Convite para amar - 1988 e Quem gasta tudo num dia no outro, assovia - 1989 , sempre com belos carros alegóricos, os mais belos já visto no carnaval do Estado. Inovou, na elaboração das alegorias - baseadas todas em organogramas e maquetes pré-estabelecidas, na originalidade de fantasias luxuosas e refinamento, na utilização de materiais rústicos como sisal e ráfia. Com a psicologia de um bom administrador, comandava os trabalhos no barracão delegando poderes a seus colaboradores e dividindo sempre com eles os méritos das fenomenais criações.

Os carnavais feitos por Augusto o tornaram imortal na verde e branco. Carnavalesco e muito mais amigo que profissional adotou a escola, melhor dizendo, a nação verde e branco no coração, sendo uma peça importante dentro da administração da escola ao lado do Presidente Carlos Alberto Tobias. As reuniões na escola só ocorriam na presença de Augusto, portanto, quando esse estava ausente pelo excesso de tarefas, como era de costume, as reuniões não eram realizadas. Mas, o presidente sabia das coisas porque os carnavais da escola, exatos, doze, desenvolvidos por Gugu, sempre reverteram em bons resultados. Até hoje nos emociona ao lembrar: a réplica perfeita do metrô (Barra Funda, estação primeira), as máscaras dos orixás (Os três encantos do rei), o Bar sobre rodas (Convite para amar)...

"Muitas vezes varávamos a noite sem dormir, mas ninguém se queixava, porque é sempre uma sensação incrível, no dia do desfile, você ver três mil pessoas apresentando aquilo que você criou. Todos dão o máximo de si para ver a Escola brilhar" Gugu, o nosso carnavalesco imortal, nós, diretores, componentes e simpatizantes somos admiradores do seu trabalho. Não varávamos noites como você e toda a sua equipe, mas de tão belo e encantador que era o trabalho, feito meses com amor e dedicação, saíamos da Barra Funda na certeza de que mais um belo desfile faríamos, como de fato, todos foram. Por que não, quem criou ser criado?

 
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