José Araldo Soares de Oliveira, Gavião, foi diretor de patrimônio no Camisa. Mas é difícil encontrar quem o conhecia por este nome. Entretanto, na Barra Funda, todos sabem quem era o amigo Gavião. Ele era, sem dúvida, um dos maiores responsáveis pelo sucesso de todos os eventos promovidos pela escola na época.
Incansável, Gavião coordenava todo o trabalho de preparação da Rua do Samba, do Botequim do Camisa, do Clube do Pagode e dos ensaios. Nascido em Pinheiros, aliou-se ao Camisa ainda pequeno, nos tempos de "Seu Inocêncio Tobias". Gavião merece todas as honras e lembranças da casa, afinal quantas pessoas não chegaram ali, em muitos momentos tristes, tímidas, sozinhas... Mas, ao começar o espetáculo e o samba dar o ar da graça, pronto! A alegria era contagiante e a tudo parecia amenizar, mesmo que fosse por minutos de diversão, somente ali. Todos nós sabemos que, para existir o rico, necessita-se um pobre, para podermos diferenciar e definir a posição sócio-econômica de cada um, bem como é preciso estender os aplausos a aqueles que, mesmo não estando acima do palco, também são os grandes artistas; os queridos artistas do povo, tantas vezes esquecidos e ignorados.
Hoje, Gavião, o sambista para toda obra, deve estar ao lado das demais estrelas verde e branco, certamente trabalhando por algum ideal. O sambista pode partir, deixando saudades em todos nós, entretanto o legado deixado por eles sempre estará vivo conosco em nossas memórias. A família verde e branco é agradecida por você ter dedicado tantos momentos da sua vida em favor do samba, samba esse apreciado não somente pela nação verde e branco, mas por todas as outras cores que representam e denominam o samba no Estado de São Paulo. |